segunda-feira, 23 de março de 2015

Pernambucanos apostam em ideias sustentáveis para economizar água

 Os brasileiros nunca se preocuparam tanto em poupar água quanto neste Dia Mundial da Água, celebrado neste domingo, 22 de março. Em uma época de chuvas escassas, barragens vazias e racionamento, economizar virou lei. A água que antes era utilizada em um dia agora precisa ser suficiente para dois. Em algumas localidades, esse cálculo é ainda pior. As 48 horas de racionamento se estendem por três, quatro e até sete dias. Por isso, cada um faz o que pode para viver com o que chega às torneiras. Em Pernambuco, muitos ainda recorrem aos tradicionais baldes e cisternas, mas também há quem invista na criatividade e na tecnologia para fazer a água render. A preocupação se encaixa perfeitamente no tema que a Organização das Nações Unidas (ONU) definiu para o Dia da Água deste ano: desenvolvimento sustentável. 


 Cada vez mais pernambucanos investem em técnicas de reutilização e economia de água, seja nas residências ou estabelecimentos comerciais. Afinal, hoje há alternativas para todos os bolsos e disposições. Desde opções simples, como a instalação de válvulas que reduzem a pressão das torneiras; até as mais elaboradas, como a captação das águas da chuva. “Economizar é reduzir a demanda e há muitas técnicas disponíveis no mercado para isso, de uma simples válvula de descarga até coisa mais sofisticada”, reconhece a professora de engenharia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Suzana Montenegro, lembrando que a preocupação não deve se extinguir ao final do período crítico de estiagem.

Para professora Suzana Montenegro, é preciso desenvolver
alternativas duradouras de economia e reuso de água
(Foto: Suzana Montenegro / Acervo pessoal)
 “A gente está passando por um período de reservatórios com baixa acumulação. Nesta época, a necessidade de poupar é muito gritante. Mas a economia não deve ser só agora. A gente precisa de alternativas duradouras, porque a situação de Pernambuco é, historicamente, difícil”, alerta. Pesquisas da Agência Nacional de Águas (ANA) de 2013 confirmam que a disponibilidade de água na Região Metropolitana do Recife é considerada muito crítica. No interior, a situação não é diferente. "Em 1999, o estado de Pernambuco era o mais pobre da federação em disponibilidade de água. Eram menos de 1.320 litros por habitante por ano, o que já era considerado uma situação crítica", recorda Suzana.

  Comércio
A necessidade de economia também já faz parte até do planejamento de grandes estabelecimentos comerciais. A Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata, por exemplo, reutiliza água para diminuir a conta. Tudo o que sobra da irrigação do gramado é tratado para voltar à tubulação. A água da chuva também vai para os tanques de tratamento. Ao todo, 50 mil litros são tratados por dia. A cada mês, 2.200 m³ deixam de ir ao esgoto e voltam às tubulações do empreendimento. Tudo isso é tratado em enormes tanques, abaixo das arquibancadas, onde a água também recebe uma coloração azul. “A coloração é para que os torcedores consigam distinguir que é uma agua de reuso. Afinal, essa água é imprópria para o consumo humano e só pode ser utilizada para fins menos nobres”, explica a engenheira do estádio, Marília Bechara. Por isso, a água reutilizada vai apenas para as descargas e a irrigação do gramado. Parece pouco, mas a economia é grande. “Representa 70% do consumo mensal. Só o gramado precisa de 1,5 mil metros cúbicos para ser irrigado por dia”, conta Marília.









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